sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cadeados
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"Quando Deus fecha uma porta, abre uma janela"
Acho que Deus me fechou as portas, janelas a 7 chaves...
Chaves que eu perdi, e agora restam-me todos estes cadeados por abrir!
Mas não compreendo!
Oh Meu Deus, porque me fizéste isto?
Porque não tenho a mesma oportunidade que os outros para me libertar,
para fugir daqui, e largar tudo isto?
Porque me acorrentas o coração, Meu Deus ?
Dá-me a chave, por favor!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Facadas
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"Porque estás assim?"_ "O que tens?" _
"Estás a chorar?"_"Estás bem?!"
Para quê fazer perguntas desnecessárias?
É assim tão difícil de perceber o 'porquê' ?
É assim tão difícil satisfazer a única coisa que peço?
"Não me mintas"
...
As mentiras são facadas que me espetam no peito.
Uma dor muito forte percorreu-me o coração! Levei a mão ao peito e nela ficaram impressas marcas de sangue. Sangue derramado pelo meu peito, pelo meu coração. Aquelas gotas cheiravam a dor; Gotas de sangue sentido!
Perdi as forças, cambaleei lentamente até cair. Os meus joelhos apoiaram-se no solo, e esmorecido de dor, o meu corpo acabou por chocar com o chão.
Aquelas facadas incapacitaram-me para todo o sempre. Facadas psicológicas, sentidas com o coração... facadas que me cortaram o ar, que me impediram de viver.
Naquele momento, ali perante todo aquele sangue derramado, perante todas as lágrimas vertidas pela alma, eu já não era nada. Senti-me perdida, pestanejei durante breves segundos, e instantes depois, senti-me a morrer.
Hoje, sinto ainda todas aquelas facadas. As feridas sararam, mas as cicatrizes... essas nunca serão esquecidas. Não consigo controlar minha mente. Não consigo apoderar-me dela... o que eu dava para apagar todas estas cicatrizes; cicatrizes sem fim, gravadas no pensamento, no coração...
As cicatrizes ficaram, as feridas jamais.
As feridas serviram para, mais uma vez, perceber o quanto estava errada em relação a ti. Fizeram-me perceber que não posso mais voltar a confiar, voltar a sorrir, voltar a amar. Estas feridas magoam, ensinam... e com elas aprendo a viver. Agora sei o quão estúpida fui por depois de tudo, ter voltado a confiar noutro alguém. Mas agora não... Não voltarei a depositar qualquer tipo de confiança em quem quer que seja, jamais voltarei a ser o que era! A Libelinha morreu, agora sobram os restos de um ser incompleto, um ser que sempre procurou a felicidade. A felicidade que sempre, sempre lhe fechou a porta.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Transparência silenciosa

O silêncio instala-se novamente. Não consigo! Não consigo passar por tudo novamente!
Não consigo sequer pensar que aquele ruído inquietante voltou!
Sinto-me rodeada por desconhecidos, sozinha no meio de tudo, no meio de nada! Não conheço ninguém, ninguém me conhece.
Sou invisível; Estou resguardada pela transparência! Uma transparência que só eu vejo, que só eu [não] sinto! ... Uma transpârência que me enfraquece, que me destrói.
A mente está presa, o corpo não reage. Sou prisioneira do mundo, do meu coração, de mim mesma!
Não consigo ouvir nada, nem o meu próprio grito! O meu grito silencioso, o silêncio ensurdecedor que me afasta de tudo! O grito de revolta, o silêncio de pânico...

sábado, 23 de agosto de 2008

Rodopios da incerteza

Cheguei ao novo inferno
Um inferno, onde a escuridão lidera!
As chamas já não são quentes.
Aqui, as chamas congelam-me o interior,
congelam-me o cérebro, o coração.

O calor tornou-se sombrio,
As chamas mentais cessaram,
A paixão tranformou-se em ódio.
A verdade colide comigo.

O vazio cegou-me os olhos
O sabor secou-me os lábios,
A fragância impede-me de respirar!

Aqui, tudo é gélido e incerto...
Aqui, tudo me magoa demais a mente!
Aqui, os começos são limitados.

Neste inferno tudo morre, nada renasce.
Perdi todo o calor que me fazia sorrir...
Perdi o inferno perfeito!

[Agora resta-me o escuro, o vazio, o nada].

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

As tais palavras...
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Há pessoas que não vêem, há outras que não querem ver!
Há as que complicam, e outras que gostam de o fazer!
E eu aqui, olho em meu redor, observo as atitudes, as palavras, os gestos... E tu desse lado, fazes me pensar nos porquês de tudo isto, nas dúvidas, nas confusões, nos momentos... Tu que finges não perceber, tu que ignoras a realidade, tu que me dás asas, e que de um momento para o outro tens o agrado de mas tirar.
Tu que dizes, que fazes... mas que não sentes!
Não sentes nada do que dizes sentir, nem do que fazes.
Finges que não vês, finges que não percebes...
Mas eu conheço-te...
E é por te conhecer tão bem que estou farta;
Estou farta das mentiras dessa tua boca,
Cansada de pensar que desta vez estás a ser sincero...
E na realidade, a tua sensatez não passa de uma ilusão criada por mim para fugir à verdade!, uma verdade que estou farta de esconder... mas uma verdade que tu provávelmente não sentes, e dizes sentir com um sorriso no rosto! Mas essas palavras são falsas!
Só me pergunto porque raio de razão as dizes, porque raio de razão me fazes senti-las?!
Porquê que ages, sem saberes aquilo que queres?
Porquê?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Momentos

Momentos indescritíveis,
Momentos em que o silêncio supera as palavras...
Momentos em que a consciência se esgota,
Momentos em que apenas com o coração se sente.


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

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A Preto e Branco
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Perco todos os sentidos ao observar esta tela! Fico sem forças, sem reacção, sem vida.
Este contraste é demasiado perfeito, mas tão perturbador, tão inquietante! Capaz de me incapacitar a mente.
Luto por me manter consciente nestes momentos de absoluto delírio... Este desalento é bastante forte, sinto-me a desfalecer. Estou hipnótizada pela ausência das cores, onde só o sofrimento, a dor expressa pelo preto, e a paz... o branco da paz que eu tanto ambiciono alcançar! Os opostos unem-se, o pânico é cada vez maior a meus olhos... Quero paz, sossego! Quero livrar-me deste ódio que me rodeia, das confusões dolorosas! Esta escuridão devoradora atordoa-me o cérebro, sinto-me incapacitada para o quer que seja. Não tenho forças para nada, falar magoa, pestanejar magoa, respirar magoa. Estou perdida; Perdi-me nas trevas do pensamento, nas sombras do meu renovado eu.
Oh senhor, tu que tens o poder misterioso e enigmático, tu que concentras em ti todas as forças do desconhecido, finaliza os sussurros aparentemente silenciados mas que gritam de dor cá dentro, dentro de todos nós!
Estou cansada destas inevitáveis lágrimas, as lágrimas que acabam por não cair, que são contidas no coração, que se apoderam da razão obscura... a tal capaz de dominar a minha vida...! Lágrimas que surgem quando algo morre, quando há um fim.
E numa pintura que retrata episódios reais da minha vida, assisto pouco a pouco às alterações sentidas. Agora vejo o tempo que passou, vejo o sangue derramado, as lágrimas transactas de tempos sem fim, de anos a fio, de momentos que cessaram, sentimentos que morreram.

sábado, 16 de agosto de 2008

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"The game is to free fame
The mental picture and let it be shown
It looks a lot like this
And I can't bear to look alone
There's a little inside
That we never really know
Till the hole gets deeper and it starts to show
There's a part of you
That likes to feel it too
Just like we always do

I cry but I can't explain
Why I never be the same
I know I'm just another face in the crowd now
Yeah I'm invisible
"

...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Peça de Teatro

É estranho. Mais do que estranho, é estúpido!
Está tudo doido... nada faz sentido.
Nada é igual, ninguém é como era; Tudo tem outro rumo, outro objectivo, outra vida.

Todas as palavras, todos aqueles momentos são agora recordados em lágrimas! Lembro-me frequentemente de promessas feitas, da troca de carinhos, palavras que nos faziam sentir bem, unidas... Uma amizade que jurámos nunca ter fim. Lembras-te?
E aquelas gargalhadas estúpidas, aquelas que faziam com que todos ficassem a olhar para nós com inveja da nossa felicidade, da nossa união.... sorrisos que, comigo ficarão para sempre! Mas que tu provávelmente esqueceste! Será que te esqueceste também de como nos adorávamos? E agora? Como é que esse carinho se transformou em ódio? Sim... Eu sei perfeitamente que no teu ponto de vista, a culpa de tudo isto é minha... mas não é, e sabes porquê? Porque ao contrário de tudo aquilo que possas pensar, eu ainda sou um ser humano, tenho direito de errar! E tu, tu que falavas num filme de terror que te assombrava constantemente, esqueceste-te que eu tambem fazia parte desse mesmo filme, que eu também estava na parte sombria da história. Há coisas que o tempo não cura, e ambas sabemos que não vale a pena continuar a tentar... Chega de fingimento, de cinismo! Não consigo viver tentando-me convencer de que um dia tudo voltará a ser bonito! É estupido pensar assim, é estúpido tentar pensar em algo que é completamente impossível, pois só causará mais torturas mentais a mim mesma. Estou cansada de todo este teatro que temos vindo a construir, desisto. Não sou boa actriz, não sei nem quero continuar a representar.

Fecharam-se as Cortinas.

sábado, 9 de agosto de 2008

Tranquiliza-me

A desgraça ascende-se. Tenho medo, tanto medo!!
Sinto-me viva por um fio, numa corda muito fina, na qual me tento equilibrar para não cair! Um medo aterrador presegue-me desde o inicio da corrida. Sinto-me a cair; este fio é tão escasso, tão fino, tão perturbador... Mentalizo-me de que cá em cima é a vida e, se escorregar morro. É difícil aceitar toda esta pressão...
Problemas e mais problemas! Será que algum dia terei paz? Para quê mostrar um sorriso na cara se por de trás deste estúpido e cínico sorriso, são derramadas lágrimas?
Lágrimas incontroláveis, que só eu sei como doem...

Vocês que melhor me conhecem! Porque finjo que está tudo bem, se sei tão bem como vocês que nada é assim tão bonito e maravilhoso como idealizamos? Porque partilham comigo apenas os bons momentos? Sou assim tão criança, tão incapaz de perceber a realidade?
Sim, é estúpido fazer todas estas perguntas ao blogue e não a vocês mesmos... E a coragem? Onde está a coragem necessária para vos enfrentar?
Enquanto que para vocês ainda não cresci, enquanto sou demasiado frágil e sem experiência, e enquanto não posso dizer-vos o que penso, e explicar-vos o quanto a minha mente vos percebe, é aqui, apenas aqui que desabafo estes pensamentos que me aterrorizam!
Eu sei, eu sei de tudo! Absolutamente tudo... e pergunto-vos porquê? Porque se preocupam tanto com todos esses bens supérfluos? Porque te preocupas tanto connosco em vez de olhares por ti, em vez de te preservares?
Peço-te por tudo... Não te preocupes com isso, pai. A minha felicidade depende da tua, e quero-te ao meu lado pra puder ser feliz. Simplesmente não te preocupes mais; deixa-os morrer de egoísmo, deixa que se afoguem em estupidez!
Não te preocupes. Sê feliz connosco, nós que te amamos .

domingo, 3 de agosto de 2008

Memórias

Encostada à porta observo tudo isto, o meu quarto, o meu mundo, o meu eu.
Só estas quatro paredes sabem pelo que passei, nelas estão gravadas todas as lágrimas que derramei, as felicidades sentidas... olho-as com tristeza, pois vejo-me a viver tudo de novo. Malditas gravuras, recordações que me esmagam o coração.
Esta música entristece-me! O poder melódico apodera-se de mim. Os sentimentos misturam-se, as memórias permanecem... Recuo no tempo, imagens e sensações surgem novamente. Recordo-me de tudo isto sem conseguir parar. Corro para o canto do meu quarto, pego na caixa de recordações... Vejo-me a regressar ao abismo.
Estas fotos afligem, as lembranças matam-me.
Sinto-me a delirar. Não consigo controlar os pensamentos, não consigo conter as lágrimas. Sinto-me estúpida, e inútil! Não aguento [re]viver todas estas agustias, não suporto novamente esta estúpida maneira de pensar.
Não quero mais estar aqui. Esta pressão é inaceitável. Adorava libertar-me para sempre de todos estes medos, estas horriveis recordações! Quero libertar-me de todos aqueles momentos, de todas aquelas palavras, sentimentos! Quero apagar o passado; Necessito de o acorrentar para que jamais volte para me arruinar... Mas isso é impossível, pois por mais voltas que dê, é impossivel esquecer, é impossível fingir que tudo está bem, quando na verdade não está. As questões voltam a surgir, mas as respostas teimam em desaparecer.

Será que foi tempo perdido?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

...

31 de Julho.
De facto, o tempo passa a correr...Vejo-me a crescer, ao contrário de outras pessoas que pensam que estou cada vez mais criança, mais infantil. Eu não concordo. Existem diversas fases na vida, as quais nós não podemos escolher se por elas queremos passar ou não.
14 anos de memórias, de felicidades, tristezas, sorrisos, lágrimas... Diversas situações, momentos com os quais aprendi a crescer, independentemente de parecer ou não.
Vejo os dias a passar, o tempo é cada vez mais curto, escorrega-me entre os dedos, e eu não consigo alcançá-lo.

domingo, 27 de julho de 2008

Sensações

Sinto-me doida, ensandecida por completo.
É incompreensível esta forma de estar, de ser... Não me compreendo. Pensamentos soltos invadem-me a alma de uma só vez... Tudo é demasiado estranho, demasiado difícil de compreender! Cada vez mais apercebo-me do quanto é difícil sobreviver.

Diversas perspectivas atropelam-me o cérebro! Estou confusa, não sei o que pensar, não sei quem sou nem o quero. Já não sei de nada. Agora choro, e daqui a pouco, sorrisos misteriosos apoderam-se do meu rosto.
Não compreendo estas mudanças aberrantes! Mas de uma coisa estou mais que certa: ESTOU FARTA! Não aguento mais estes desatinos sem sentido algum que me deixam completamente desorientada.

...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Correntes finais

Acordei. Olhei para baixo, e vertigens esmagadoras apoderaram-se de mim.
À minha frente brilhava uma luz intensamente forte, era o Sol. Podia observá-lo através de uma janela com grades que se encontrava diante a mim. Através da janela, vi a altitude em que me encontrava; Eu estava perto das nuvens, lá em baixo tudo era pequeno e distante. De repente caio em mim! Olho para cima e vejo os meus braços a sangrar; Estava acorrentada pelos pulsos, dei por mim a oscilar lentamente. Entrei em pânico, lágrimas contínuas deslizavam pelo meu rosto. Não sabia o que fazer, era demasiado apavorante encontrar-me em tal situação.
Milhares de pensamentos obscuros percorreram o meu cérebro, questões indeterminadas apoderaram-se de mim.
Olhei em meu redor e reparei que estava escuro, muito escuro. Apenas a luz do Sol fazia com que eu me pudésse aperceber onde estava.
Era um compartimento estranho, reparei que tinha forma circular, e que eu me situava no centro... Um cenário arrepiante, do qual eu fazia parte. A sala estava vazia, obervavam-se apenas muitos insectos, correntes e pó, muito pó que me dificultava a respiração. Aquelas paredes em pedra, e os ruídos que delas surgiam, aterrorizavam-me.
Acorrentada sem puder escolher, sem conseguir pensar. O tempo estava a esgotar-se. Eu teria de arranjar uma forma de me libertar daquelas correntes que me aprisionavam os pulsos por de cima da minha cabeça... Mas era impossível conseguir tal coisa! Eu ficara cada vez com menos forças, os meus pulsos sangravam cada vez mais.
Gritava por ajuda, mas ninguem me socorria. A minha voz ecoava naquela sala, na minha cabeça! Não dei pela noção do tempo, mas passei horas indeterminadas a gritar socorro. Foram diversas vezes que, ali parada, inconscientemente de tudo, via o nascer do sol, sentia o anoitecer. Foram vários os dias de sofrimento, de espera, de pânico.
Mas o tempo era limitado, eu não era suficientemente forte para aguentar mais tempo o frio do anoitecer, a sede, a fome. A falta de forças, esgotou-me... aquela posição vertical permanentemente, a oscilação constante com o objectivo de alcançar o chão.... era demasiado insuportável.
Não sei o que aconteceu depois. Recordo-me apenas de estar caída naquele chão coberto de poeira, e rastejar até ao outro lado da sala. Lá estava um grande espelho no qual vi o estado em que me encontrava. Estava branca e os meus lábios roxos tremiam. O espelho reflectia um corpo mais além. Tentei aproximar-me rastejando mas parei a meio. Não tive forças para mais... E vi então que, ali no meio daquele compartimento, estava o meu corpo, imóvel. Estava pálido, extremamente esquelético. Aquele rosto desfigurado era meu, eu vi, eu senti. Era eu que estava ali deitada, quieta, rodeada de sangue sem me conseguir mexer. Aquele corpo era meu; eu estava morta. Foi então que, tentei gritar de desespero e assim apercebi-me que já não tinha voz.

Se aquele corpo era meu, então como era possível estar a vê-lo, estar eu própria a ver-me morta? Não consegui raciocinar. Avistei uma porta de ferro ao fundo da sala em que me encontrava... Tentei pôr-me de pé, mas mais uma vez: tentativa falhada.
Já não valia a pena tentar mais. O meu corpo já estava morto, a minha mente apavorada.
Para quê tentar alterar o destino?! Lentamente, o meu rosto aproximou-se do chão e a capacidade de viver ausentou-se. Senti o sangue parar de circular, senti-me fria como o gelo.
Deixei de respirar.

sábado, 12 de julho de 2008

Mudança sentimental

Não, hoje não vou fazer um daqueles bonitos discursos cheios de lamechices e lágrimas.

Apetece-me correr, mas mal sinto as pernas, estou cansada... Então, descanso aqui debaixo desta árvore, entre todas estas magnificas flores. Observo tudo o que me rodeia. Ao sabor do vento, tudo parece mais rápido. Esta agitação é assombradiça. O vento choca com o meu pálido rosto; Um arrepio glacial ascende-se em mim... Está frio, muito frio! Olhando para cima, vejo o Sol; Está escondido entre os troncos da árvore, apenas a sua luz intensamente brilhante se apodera dos meus olhos. É um momento único, o Sol está finalmente a brilhar... mas longe, bem longe de mim. De qualquer forma, consigo agora avistá-lo. Não queria de modo algum perder de novo esta luz brilhante capaz de iluminar os constantes dias sombrios por que tenho passado, mas sei que mais cedo do que imagino, a escuridão voltará para me abater novamente... Não consigo perceber porque tal acontece... porque tenho de me sentir culpada por tudo? porquê que a culpa será sempre minha? Talvez porque me culpo demasiado? Sim, talvez; Consigo agora atingir tais conclusões. Não vale a pena continuar a chorar, a gritar, a lamentar-me por tudo o que me acontece, por tudo o que fiz e continuo a fazer de errado. Afinal, errar é humano, certo? Não matei ninguém, não roubei; Então, porque razão tenho eu de sentir que o mundo me caiu em cima, se apenas errei?... que eu saiba, ainda temos o direito de errar! E por muitos erros que eu cometa, por muitos arrependimentos, por muitos incidentes, nada pode ser suficientemente mau para me pôr no desgraçado estado melancólico em que me costumo encontrar. Para mim chega, fartei-me. Fartei de me sentir culpada por tudo o que acontece de mal, fartei-me de chorar por pessoas que de mim não merecem nada, fartei de me queixar da miserável vida que levava devido ás asneiras que fazia (e que continuo a fazer). Agora cansei-me! A minha paciência esgotou. Há de facto, quem tenha a mania da perfeição, quem pense que é superior a todos, e que tem capacidade para julgar quem quer que seja. Mas não passa disso, de uma mania. Pois na verdade, ninguem é perfeito o suficiente para não errar, nem ninguem é perfeito o suficiente para poder julgar o que está certo ou errado. Na realidade, todos erram pois ao contrário do que muita gente pensa, a perfeição está longe de existir. Portanto, ninguém pode ter a capacidade de continuar a deitar-me abaixo, mandando bocas estúpidas, que me atingem fortemente.
Mas agora... agora não. Não há medos que me consigam derrubar tão facilmente como no passado, não há ninguém que me impeça de voltar a sorrir, de voltar a viver.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O Desejo de Voar

Não sei o que ainda faço aqui... Não sei porque ainda cá estou.
Agora percebo que afinal a minha existência não passa em vão neste horripilante paraíso... Afinal a minha presença é sentida; A minha presença é perturbadora não só para alguns, mas sim para todos os que me rodeiam.
Quem me dera que o arrependimento matasse, já que a culpa ninguem me tira.
Eu sei, eu sei como desejavam que me evaporasse, de certeza que não o desejam mais que eu... Mas por muito que me doa tudo o que fiz, tudo o que faço, e por mais que eu queira acabar com a minha parte deste maldito jogo de regras ridículas, eu não consigo. Sou cobarde demais.
Por vezes, fico surpreendida com a minha própria idiotice! Quando tudo está mais calmo, entro eu em acção para estragar novamente a serenidade que se fazia sentir... Se não for comigo mesma, é com as pessoas de quem mais gosto, os poucos a quem ainda posso chamar amigos.
Que tristeza! O meu auto-controlo está a esvaecer-se segundo após segundo.
Não consigo orientar estas forças que me fazem esquecer a razão... Forças demasiado poderosas, demasiado incontroláveis capazes de destruir tudo aquilo que faz parte de mim. Mas quais forças... as forças do meu cérebro que age sem pensar? Oh, essas... estão mais acabadas que eu própria!, desfeitas como esta areia que escorrega entre os dedos; esta areia, estas partículas tão pequenas, mas com a capacidade de construir dunas, muralhas que me impedem de ver a realidade que se encontra lá ao longe, muito longe de mim; Longe de tudo o que existe, de tudo o que não existe...
Nestas alturas, tenho uma extrema necessidade de voar, voar sobre todos estes contra-tempos, fugir de todas estas confusões! Estou farta ... estou farta destes distúrbios que não me largam... Ou melhor, que eu não consigo largar! Preciso de asas, quero sentir, quero sorrir, quero viver, sem pensar nos problemas, nas agitações emocionais, nos arrependimentos constantes...
Só gostava de ter asas e saber voar...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Passado do verbo Viver

Estou aqui. Sim, aqui sentada neste lamacento chão, onde aguardo que me espezinhem.
E sabes o que faço enquanto isso? Estou a pensar na coisa mais estúpida que [te] consegui fazer. Tal como me disseste no outro dia, “Conheces-me, ou pelo menos eu julgava que tu me conhecias, tal e qual como eu te conhecia”… Não podias estar mais certa! Na verdade tu já não me conheces… eu própria não me reconheço, quanto mais tu… Tu que confiaste em mim, e depositaste em mim todo o carinho. Éramos as ditas “melhores amigas”; Tu que nunca pensaste que eu fosse assim, assim tão ordinária.
Hm, agora fiz-me rir a mim própria… Eu? Ordinária? Qual quê… Eu sou apenas uma estúpida “pessoa”, que tal como eu já to dissera, não merece nada!
Lembraste em tempos quando, no meio de todas as nossas brincadeiras, de todas as nossas parvoíces, eu te dizia que um dia iria acabar por te perder, por perder a tua amizade… lembraste disso? Lembraste também daquele momento em que eu estava destroçada, em que para não variar, tu me ajudaste, e eu dissera que a única coisa que sabia fazer, era afastar de mim as pessoas de quem gosto? … E agora, lembraste de teres dito que isso nunca iria acontecer entre nós? Pois é, o pior de tudo é que aconteceu. Eu mostrei-te ser uma pessoa que não era, nem sou… O monstro que sou hoje, estava disfarçado com pequenas nuvens que por vezes mostravam o sol, e era aí nesses momentos de céu aberto que conseguias ver parte do que verdadeiramente sou. E agora, os períodos de chuva, de céu nublado, desapareceram… Agora podes ver quem eu realmente sou, quem efectivamente escondi ser.
E o que me dizes tu? Oh, pois bem, que te desiludi, e razões não te faltam para o dizeres; Apoio-te incondicionalmente! E logo eu, que odeio pessoas mentirosas, cínicas… e agora eu própria sou assim, completamente repleta de cinismo. E por muito que me custe admitir, ambas sabemos que a verdade é essa. Não lamento que isto tenha acontecido, pois tens todo o direito de saber verdadeiramente quem são as pessoas que pensavas conhecer… E que agora desconheces totalmente. Podes pensar que é ironia minha dizer que te menti para o teu bem, porque não queria que sofresses; Mas agora aconteceu completamente o contrário. Descobriste da pior maneira quem eu era, a pessoa que já várias vezes te tentei mostrar que sou, mas à qual tu dizias "Rebaixaste demasiado, tu não és assim, Libelinha. Difamaste a ti própria…" Lembraste destas palavras? Que pensas agora delas? Não, Não é preciso que respondas… eu sei qual é
a resposta! Sei perfeitamente o quanto te menti, o quanto te decepcionei. Não vale a pena tentar aquela “quando estamos apaixonados, não pensamos”, pois como já aqui foi dito, para mim o amor não existe. Talvez o carinho por terceiros, se tenha tornado em completa estupidez da minha parte… Uma estupidez tremenda, que me atormentou a mim própria. A verdade é que eu deixei-me levar, por palavras meigas, por mentiras nas quais eu acreditei, não pensando na indecência que te estaria a fazer. É verdade, fui egoísta, pensei só em mim, e isso saiu-me caro… Com isso, perdi-te a ti, a pessoa que sem dúvida, mais me apoiou quando todos me viraram costas, a pessoa que esteve comigo sempre, e sempre… a pessoa da qual tive o maior prazer do mundo em chamar de melhor amiga, mas que infelizmente, já não o posso fazer, pois sei que o que fiz não se faz, e que nem merece perdão. Não te peço que me perdoes… Aliás, não tenho o direito de te pedir o quer que seja. E sei que agora, não acreditas sequer numa palavra vinda de mim, mas por favor, acredita que te adoro e que és demasiado importante para mim. A nossa amizade pode estar fechada por um Fim, que nunca mais terá possível continuação, mas por muito mal que eu te tenha feito, por muito que eu te tenha desapontado, a verdade é e sempre será esta, Tu és das melhores pessoas que pude conhecer!
Não te vou pedir desculpa pelo que aconteceu, porque como já te disse, sei que não há maneira de me perdoares.
Resta-me agradecer-te por toda tua bondade, por tudo o que por mim fizeste e que guardo comigo com muita ternura.

Adoro-te minha Gotinha de Água.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

__________O Jogo Perigoso

Há 14 anos atrás lançaram os dados; O jogo tivera começado.
No início não tive escolha, a única hipótese era jogar. Ao continuar o jogo apercebi-me, de que haviam várias casas de sofrimento, e os dados não ajudavam...
Nas últimas casas em que caí, havia cenários de desespero, de profundos pesadelos. E aqueles sons silenciosos, ensurcedores... Aquele escuro atormentador, o cheiro a queimado... seriam as chamas do meu interior a chamar pelas trevas?
Enquanto o tempo passa, os dados rodopiam, e tal como eles, eu giro, caio e espero que me levantem, espero para puder prosseguir o jogo... um jogo que continuava mesmo sem mim, um jogo que tem regras e têm de ser cumpridas: o tempo não pára; O fim é imprevisível...
Porquê que as regras são inalteráveis? Porquê que cada fase do jogo é mais difícil que a anterior? Que jogo tão idiota! Regra base: Viver ... Talvez queiram dizer sobreviver, não?
Sem outra opção de escolha, temos de continuar a jogar, lutando por aquilo que queremos, seguindo os nossos objectivos, e tentanto ser felizes... mas as regras deste jogo são muito injustas, demasiado complicadas. Ás vezes, damos por nós a perguntar porquê que tem de ser assim? Não existe explicação... É a lei [da vida] do jogo.
Os dados traiçoeiros deslizam sobre este tabuleiro... o tabuleiro do passado, do presente, o tabuleiro que trás o passado de volta para amaldiçoar novamente esta incógnita a que todos chamam de futuro... Futuro, as pérfidas fases desconhecidas que me queimam, que me ferem, que me magoam, que me matam. Eu morro, volto a morrer, mas o jogo parece não ter fim. Mas é em minha posse que está o poder. Sou eu que comando o meu jogo, O poder altivo que comanda a vida, a minha vida. Mas eu posso acabar com as inalteráveis regras... Eu sou a suprema Libélula, apavorada com todas as regras, mas com o poder de as quebrar, com o poder de pôr fim ao jogo.


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sentimentos

Os pensamentos perderam-se; As emoções esgotaram-se; Os sentimentos morreram.
Nada mais ficou.
Agora olho para trás, e vejo o tempo perdido, o tempo que gastei com pessoas que não merecem sequer desprezo... que simplesmente não merecem nada. Agora vejo o que sempre tentei não ver: A amizade não passa de um fingimento, não passa de gestos que nos tocam, que ficam, e que nos magoam... e que dificilmente serão esquecidos. Os gritos, o silêncio, os gritos e o silêncio.... As palavras que melhor conseguem descrever-me; Pois é neste mundo que eu vivo, o meu mundo... Em que estes restos de mim vagueiam no silêncio de gritos sussurrados por estas vozes distantes, demasiado longínquas, mas totalmente presentes em mim. Sim, é isso mesmo... Eu estou louca; Todos estes disparates não passam de barbaridades para vocês leitores... mas para mim, são devaneios que fazem todo o sentido; Porque na realidade, é assim que eu vivo, é isto que eu sinto.

Sinto? Mas eu não sinto; O verbo sentir deixou de fazer parte do meu ser há já bastante tempo. Muitos momentos, muitas emoções, muitas pessoas se apoderaram do meu coração, e roubaram-mo. Roubaram-me o sentimento, aquilo que me fazia viver, sentir.
Preciso de calor para secar estas lágrimas... mas eu não sinto, o meu corpo nao sente. Estas lágrimas jamais serão secas... Estas palavras jamais deixarão de estar presentes.
Mais uma vez, já nada faz sentido.

sábado, 21 de junho de 2008

Fingimento desgastante

Não aguento toda esta pressão. Cada passo que eu dou é um erro para os outros, cada segundo que passa é uma eternidade para quem está comigo. Sinto-me sufocada com toda esta diferença que me rodeia.
Todos estes olhares, todas estas confusões, todos estes malditos equívocos, tudo isto me destrói. Não há como fugir, tudo isto me persegue, tudo isto me desgasta. Olho para o meu interior, e vejo ruínas; As ruínas do meu ser. Sinto-me estúpida por não ser como os outros. Sinto-me estúpida por ser diferente... Diferente dos outros, diferente de mim mesma. Peço compreensão da parte de quem me rodeia, mas nem sequer eu me percebo; Apenas sei que não sou normal. Mas que posso fazer eu para mudar a minha forma de ser? Esperar que o tempo me dê a normalidade de volta? É insuportável tal espera.
Apetece-me gritar bem alto aos ouvidos de toda a gente, o quanto quero que me deixem em paz, o quanto preciso de estar sozinha... mas não posso gritar, pois a ultima coisa que quero é que as pessoas de quem gosto se chateiem comigo devido à minha estupida anormalidade.
Contudo, o constrangimento é inevitável. É demasiado duro dar sempre um não como resposta, é demasiado estúpido ter de lidar com tudo isto; É demasiado asfixiante olharem para mim como uma coitadinha, com perguntas desnecessárias. Chamam-lhe de preocupação... Mas eu estou cansada que me pressionem, estou farta. Não consigo fingir que tudo está bem, que me divirto, que estou feliz, que adoro isto... Não sei mentir, não sei fingir; desisto de o fazer, pois para alem de enganar os outros, acabo por acima de tudo, me enganar a mim. E depois, a parte mais chocante: quando a preocupação se transforma em cinismo...! Oh, Deus me dê a paciência de que tanto preciso. Mais uma vez, sinto a necessidade de gritar, de berrar o quanto dispenso que se "preocupem" comigo, pois estou farta desse estúpido cenário. A única coisa que quero é paz, e pouco cinismo. Para quê mostrarem-se imensamente perturbados com a minha situação, se sei que quando viro costas, começam os torturosos risinhos de felicidade, com os quais estou habituada a lidar? Estou farta de todo este fingimento mútuo, mas da minha parte acabou. Foram tempos e tempos de mentira, de sentimentos incontroláveis, que fizeram com que eu mudásse; Agora sou diferente, diferente do que era naqueles tempos em que fingia ser feliz por causa dos outros. Mas agora, fartei-me. Não quero saber mais do que eles pensam, do que eles dizem. Não vou fingir mais.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Rabiscos do meu ser

Definitivamente, enlouqueci.
Não me reconheço, estou irrecuperavelmente doida.
Tudo mudou, e agora me dei conta da incompetente idiota em que me tornei...
Um curto período de tempo fez com que tudo em mim mudásse, a minha forma de pensar, a minha forma de agir, a minha forma de ser e de viver...
Desenhei em mim um monstro... o qual não consigo apagar; Todas estas marcas profundas ficaram impressas numa folha branca que ao longo deste tempo se tornou escura, muito escura...
Uma escuridão dificil de decifrar! E todos estes rabiscos são falhas, erros perturbadores que me pesam a consciência. Um peso insuportável que me deita abaixo cada vez que quero prosseguir, cada vez que necessito de continuar.
Esta ilustração está manchada de infernais sentimentos; Por minha vontade, todos estes rabiscos, toda a minha pessoa... merecia apenas que um lápis azul, invalidando-me, censurando-me. Apartir daí, a vida deste estupido esboço acabaria. O meu fim estaria próximo, muito próximo.
Quero restaurar este desenho, esta imagem que eu própria tenho de mim!
Quero mudar, mas mudar é impossível.
Quero pensar, mas pensar é impossível.
Quero escolher, mas escolher é impossível.
Quero respirar, mas respirar é impossível.
Quero viver, mas viver é impossível.

Será que existe alguma coisa possível na minha vida?
Oh meu Deus, porque tem de ser assim?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Escuridão da Saudade

A tua ausência é a noite,

Incondicionalmente escura e sombria,
Este frio arrepiante.

Olho para as estrelas
Que me lembram os teus olhos...
Os teus olhos que penetram nos meus,
Os teus olhos que me param a respiração,
Os teus olhos, as recordações, as memórias
E agora sem ti, tudo parou.

A tua ausência é a noite
Uma noite demasiado profunda
Demasiado insuportável.

Estar longe de ti
É como entrar num túnel,
Um túnel sem fim;
Onde não consigo respirar,
Onde não consigo pensar.

A tua ausencia que me secou as lágrimas,
Estas lágrimas que deslizam no meu rosto
Lágrimas que caiem,
Lágrimas de sangue ,
Lágrimas de tristeza,
Lágrimas de saudade.

Saudades de ti, do teu toque
Saudades do teu sorriso, dos teus olhos.
A tua ausência acabou comigo,
A tua ausência matou-me.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sufocante

Todas as palavras, todos os pensamentos, todos os sons, todos os sorrisos, todas as expressões, todos os toques... tu estás lá; Não é em ti que eu penso, é na tua ausência, é no facto de não ter comigo o ar que respiro, é na dor que sinto interiormente por estares tão afastado, tão ausente. E toda a esperança que eu tinha de pudermos voltar a ser amigos, de poder voltar a olhar-te a sorrir-te, a tocar-te... toda essa esperança morreu, e continua a morrer a cada lágrima, a cada reflexão, a cada momento. Esta porta que por vezes se abria e me permitia ver o sol, fechou-se definitivamente, e foi substituída por uma parede, um muro de fortes dimensões, impossivel de se mover; É impossível voltar a ver o sol que me iluminava. Tudo aqui é tão escuro, tão triste.
Se o arrependimento matasse, eu já tiria morrido infinitas vezes, mas agora sem ressuscitação, porque tudo em mim morreu: a minha felicidade, a minha alegria, o meu sorriso, o meu coração... tudo isto foi substituído por uma teia de lágrimas, de pânico, de angústia. Tenho um alvo no coração, para o qual todos atiram, e onde tu fizeste mira, acertando-me, partindo-me o coração. As minhas veias não têm sangue, o sangue não circula, o coração não bate; eu morri... Tu mataste-me, mataste tudo o que em mim ainda tinha vida... mataste-me com esta distância que me aflige, que me impede respirar, que me impede viver. Dizem que tudo é uma questão de tempo, que o tempo resolverá tudo... mas o tempo congela sentimentos, recordações... o tempo congela memórias. O tempo fará com que no fim, te esqueças de mim, com que te esqueças da minha existência. Tambem não interessa contradizerem-me; sei que assim será. Portanto nada tenho a fazer, pois nem esperar será solução. Tudo tem um fim, e o meu chegou.. Veio com esta noite que me agonia todas as possíveis e impossíveis considerações; uma noite silenciosa, uma noite que ao contrário de tudo, não tem fim.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Desespero inaceitável

Estou desesperada.
Quero morrer. A minha vida perdeu a lógica, perdeu o rumo que seguia, perdeu uma das raras pessoas que se transforamara num motivo que me fazia sorrir. Eu perdi a tua amizade, de vez.
Sinto-me desmoronada por completo; Já nada tem lógica, já nada faz sentido. Não sei o que fazer; A única coisa que me ocorre no pensamento és tu, e nos meus olhos, estas estupidas lágrimas que não consigo evitar. A cada segundo que passa, cada pestanejar, cada pulsação... é em ti que eu penso, não pelo facto de te amar mas sim por te ter perdido, por ter deixado que isto acontecesse, e por acima de tudo, me ter pegado demasiado a ti, acabando agora por sofrer pela tua ausência no meu coração; Tu, tu que me roubaste o coração, tu que, sendo a pessoa que me faz chorar, és tambem a que me pode dar de volta a alegria de viver. Tu, a pessoa por quem os meus sentimentos de amor e ódio se uniram, partindo-me não o coração que já perdi, mas sim o cérebro, que por ti, deixou de funcionar, incapacitando-me de viver. Concentro-me nas recordações que tenho dos teus olhos e esqueço-me de tudo o resto: esse verde brilhante do teu olhar, que penetra no meu e que me impede de pensar. A minha mente ficou vazia. Já não há nada deveras importante para preencher este vazio que se encontra na minha mente, no meu espirito, em mim. Quero sair daqui, mas a porta fechou-se. Agora não tenho saída; estou entre a espada e a parede, dependente destas míseras regras do jogo, das quais nunca me conseguirei habituar. De que me serve tudo isto? De que me serve acordar todos os dias, ir à janela e ver lá fora um falso Sol, com a estupida intenção de iluminar a noite mais profunda de todas aquelas em que já me encontrei? De que me serve tudo isso, se perdi para sempre, uma fonte de felicidade que me fazia sorrir e viver? Vale a pena fingir que sou feliz e que está tudo bem? Vale a pena todos estes cínicos e falsos sorrisos que me enervam o sistema nervoso? Um sistema que perdera já quase a capacidade de funcionar... Mas pergunto eu: Será que existe algo em mim que ainda funcione pra'lem da profunda fonte de lágrimas que se encontra no lugar do coração?
[É difícil caminhar sem pôr os pés no chão] .

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Debilmente afectada

Dia para esquecer.
Estou em pânico e nao acredito no que me aconteceu. Porquê a mim? Porquê?
Desempenho o papel de protagonista neste filme de terror em que se transformou a minha vida. Não sei como o fiz, mas fi-lo.
Chorei, gritei, explodi, e admiti. Agora preciso apenas de um longo e profundo buraco onde me possa esconder eternamente. Como voltarei a olhar para o teu rosto? Como voltarei a falar-te e a olhar-te nos olhos como sempre fizera? Eu sei, o melhor de tudo seria afastar-me de vez, mas isso é impossível; Impossível demais para ser posto em prática.
Só quero fugir. Quero fugir daqui, e ir para um inferno bem mais calmo que este... Onde, de preferência, não hája o sentimento a que todos chamam de amor. Um sentimento tão estupido, tão injusto e impropriado, que está a fazer com que aos poucos e poucos, eu te perca, dolorosamente e inconsolavelmente. E agora? O que faço agora? Sentir o eu toque é uma sensação mágica, mas pensar que nunca mais sentirei tal sensação é assustador. Talvez esteja a delirar, mas o causador de tudo isto és tu. Não fui eu que escolhi, pois acredita que se o pudésse fazer, tudo seria diferente.
Recuar no tempo seria uma boa forma de apagar tudo isto. Mas mais uma vez, a impossibilidade dura e perdura até ao fim da minha existência. Como foi isto acontecer-me a mim? Porquê a mim? A ultima coisa que eu queria neste mundo, era perder a tua amizade, és importante demais, mas infelizmente, a minha capacidade racional esgotou-se e agora, tudo isto é a consequência dos meus estupidos actos, da minha estupida existência... Podes dizer que não, podes dizer que não deixas, podes dizer tudo o que quizeres, tudo o que te apetecer, mas sabes tão bem como eu, que a nossa amizade já viu melhores dias, e melhores condições para continuar; Sabes tambem que tudo isto é complicado demais tanto para mim, como para ti, pois o o facto de eu me afastar contribuirá para o plano de esquecimento, mas será impossivel de aguentar... Porque é impossível não te tocar, é impossível não estar contigo. É difícil demais.
Mas que outra solução será melhor do que esta? O problema consiste aqui mesmo: Não há outra solução, não há outra hipótese! Não consigo raciocinar... pensar em ti, impede-me de tudo o resto. Quero gritar de raiva.
A raiva que me atingiu por ser tão transparente, por conseguires ver não só as minhas lágrimas exteriores, mas tambem as interiores que naquele momento me fizeram morrer. E agora? Que pensas tu de mim? "Mais uma pita estupida apaixonada por mim", ou como alguem tão emocionalmente instável que não consegue falar sem verter lágrimas perturbadoras? Escusado será dizer que o meu coração parou quando me abraçaste; As tuas palavras deixam-me completamente inactiva. E a pergunta continua a pairar sobre a minha cabeça "Porquê a mim?" Sim, estou debilmente afectada. Como fui eu capaz de deixar que isto acontecesse? Não consigo perceber, não consigo.
Agora não posso dizer que tenho medo de te perder, de perder a tua amizade, pois na verdade, o fim está à vista, mesmo que não o queiramos ver. O medo atingiu-me e tranformou-se num terrível pânico que vivo a cada segundo que passa. Segundos que nunca mais acabam, segundos sem fim, segundos extremamente escuros.
Eu não posso, não quero, não consigo, NÃO AGUENTO. Não aguento tudo isto muito mais tempo... é como se estivesse a cair no infinito, no vazio, onde a única coisa que sinto, é o som da tua voz a esvoaçar no meu cérebro.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

As minhas lágrimas

Um choro contínuo... Lágrimas que são idealizadas pelo meu coração, e que nascem nos meus olhos, numa profunda tristeza sentida interiormente; E o percurso das minhas lágrimas continua... deslizam sobre o meu rosto lentamente, e acabam por morrer na minha boca.
Algumas, não chegam a deslizar, e permanecem estáticas nos meus olhos; outras caiem rapidamente diante de mim, formando uma poça de lágrimas na qual eu me afogo constantemente. Afogo-me nas minhas lágrimas, afogo-me em mim própria; Morro comigo e em mim!
Estou sem fôlego; Cansei-me, fartei-me, estou exasperada. Perdi a respiração no meio de todas estas lágrimas que me sufocaram, que me prenderam, que me mataram; Eu estou morta, morri interiormente [novamente]. Todos os motivos que ainda me faziam sorrir, transformaram-se agora em arrepios e desesperos pasmosos. Suores frios, delírios, lágrimas, distúrbios... Sensações inexplicáveis que me derrotaram, que me enfraquecem... E que me impedem de lutar, de fazer o que queria. Sinto-me fraca, sem forças nem capacidade para o quer que seja... Vivo debilmente e sem forças para mais; Sou fraca, insignificantemente inapta, mas de facto, muito competente no que diz respeito à destruição interior nao só de mim, mas dos outros... O Regresso da Demolidora seria sem duvida, um bom título para a minha situação actual. De que me vale tentar olhar para a vida com outros olhos, se sei que não passaria apenas de uma fantasia e que de repente daria por mim a cair outra vez neste profundo vazio sem fim? Um vazio demasiado denso e perturbador que me arrasta para o fim de tudo, para o início do nada.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Oceano de interrogações

Caminho pela praia, descalça sobre a areia molhada.
A água está muito fria; pequenas ondas rebentam aqui, perto de mim, cobrindo-me os pés. Este cheiro a maresia, lembra-me o teu perfume que esbarra contra mim, naqueles curtíssimos segundos em que sinto a tua presença... Um perfume que nunca mais voltarei a sentir.
Aqui parada, penso em tudo; Todas as mais diversas sensações e pensamentos, me ocorrem, contribuindo para a lagoa de confunsões em que se tornou a minha vida... Uma lagoa que se alastra, tranformando-se já quase num oceano... este incrível mar, cuja água colide contra os meus pés... As minhas pegadas na areia, são apagadas pelas ondas que sobre elas passam; Não seria mais fácil que a água do mar apagasse tambem as profundas pegadas, presentes na minha alma?
E este nevoeiro... este nevoeiro que me impede de ver o quer que seja, física e psicológicamentalmente. Um nevoeiro cerrado, um nevoeiro demasiado intenso, que esconde de mim tudo o que queria alcançar. Já nem vejo os meus pés, nem o mar, nem a areia, nada. Ando agora algures, sem saber onde, nem porquê... novamente perdida num nevoeiro sombrio, acompanhada de um arrepiante múrmurio entre as numerosas gotículas de água que esbarram com a areia, a areia que debaixo dos meus pés se dispersa de forma muito subtil; quase não a sinto. Porque na verdade, eu não sinto nada, deixei de sentir em todos os pontos de vista.

sábado, 24 de maio de 2008

O Eco da minha voz

Estou a ouvir o meu eco.
Ganhei força e consegui finalmente gritar! Um grito silencioso que não pára de ecoar em torno de mim. Ouço a minha voz, num longo e indeterminado período de tempo... Ouço-a e volto a ouvir, dentro da minha cabeça, dentro da minha alma, dentro de mim. Agora o vazio foi substituido por um grito contínuo que se repete infinitivamente.
O silêncio que se fazia sentir era mortal, mas agora gritei; Gritei e o eco da minha raiva fez-se sentir em torno de mim.
É tudo tão estranho, tão abstracto, tão dificíl de perceber.
Talvez partir para outra galáxia não fosse de todo, mal pensado. Viajar pelo universo, pelo que nunca tivera sido alcançado; Viver num mundo só meu, longe de tudo, de todos; longe de todos estes problemas e complicações que surgem mas que não tem fim. Um fim... Estarei eu longe de chegar ao fim de tudo isto?! Sei que tudo tem uma solução, uma alternativa, mas situo-me agora naquele maravilhoso labirinto que interrogações, em que me pergunto "onde está essa solução?"... Como é possível que uma resposta tão óbvia esteja tão oculta aos meus olhos? Estou dentro de uma gigantesca paranóia; É como um furacão que se apudera da minha mente. Vozes inconcebíveis giram à minha volta, perturbando-me o pensamento... Vozes, rostos que me acordam quando fecho os olhos, que se riem quando eu caio. E cá dentro, não consigo parar de ouvir, de ver tudo isto... Um abismo de longo percurso, sem regresso; Um abismo, em que a minha voz continua a ecoar, atravessando a algazarra silenciosa deste estupido e medíocre mundo desvanecido, onde tudo está longe de ser perfeito.
Obscura melancolia sem possível caracterização.

domingo, 18 de maio de 2008

A cair novamente...

O teu olhar...
És um anjo? Ou um Demónio?
Não critíco ninguem, mas não consigo deixar de dizer isto: És Perfeito.
O frio desaparece, e um calor inconfundível surge dentro de mim quando te vejo, quando sinto a tua presença... O teu ar angelical, o teu rosto encantador, o teu sorriso fascinante... Oh Meu Deus! Porquê que algo tão divino tem de ser [para mim] impossível de atingir?
Voo alto demais, e quando dou por mim, estou caída no chão sem protecção, sem nada. Caio e volto a cair, sem dó nem piedade... mas sonhar não custa, o mais difícil é acordar! Choro, sim choro e não consigo parar! Choro por ti? Choro por não te ter! E agora... descobri que os anjos existem e não tenho o poder de te conquistar, meu anjo! Olho pela janela do meu quarto; As estrelas brilham, brilham como os teus olhos... será que querem ser tão magníficas como tu? Parece-me difícil... O tempo passa a correr. Os dias são horas, as horas são minutos... e não penso senão no facto de nunca mais te voltar a ver, falta tão pouco para ... para olhar para ti pela ultima vez! Não quero pensar, não consigo.
Uma nuvem irá cobrir o teu brilho... deixarei de ver os teus olhos brilhar, deixarei de te ver... e agora será para sempre. O frio volta, o medo recomeça, o sofrimento continua! Tento esquecer-te, não consigo... Estás presente demais na minha memória. Quero deixar de «sonhar» contigo, mas estes pesadelos inquietam-me, deixam-me louca. Já não sei o que pensar! Quero afogar-me na minha estupidez, na minha estupida vida, nos meus estupidos pesadelos! Quero deixar tudo, quero morrer; Estou farta!

Quero-te.

sábado, 17 de maio de 2008

____________________Suspiros

Suspiro por ti...
Estás tão longe, tão distante.
Este frio que é cada vez maior, aumenta com o facto de não te ter, e de saber que nunca te terei. Vejo-te por um segundo, como um flash que tudo ilumina durante momentos demasiado pequenos, mas que no meu coração permanecem tempo indefinido. Sonho com o impossível, devaneios idealizádos surgem no meu coração... mas é impossível; É impossivel alcançar-te, é impossível conseguir-te... É impossível ter-te! Sinto-te em tudo o que ouço, em tudo o que vejo, em tudo o que quero... pois eu não quero mais nada, não quero mais ninguem, quero-te exclusivamente a ti. Pior que ser uma Ilusão, é transformar-se em Desilusão... Gostava de ter forças para lutar pelo que quero, por ti... mas para quê? Para quê iludir-me se sei que não passa de uma fantasia? Mas dói... dói por dentro o facto de não puder fazer nada, dói ver-te passar e saber que nem sabes que existo, dói olhar para ti e tu não me veres, pensar em ti dói-me o coração. Mas tambem dói não saber o que é isto que sinto, não conseguir definir, não conseguir explicar... é estranho. Continuo a suspirar de angustia, de solidão, de tristeza... da tua ausência, de não te ter! Quero-te agora, aqui comigo!
Quero livrar-me disto, quero fugir de tudo, quero entrar na realidade de um dos meus pesadelos... correr, fugir sem parar e não encontrar o caminho de volta... assim não teria de enfrentar tudo novamente, não teria de enfrentar o impossível, a realidade... não quero continuar assim, não quero nem posso, pois ao faze-lo continuo a despedaçar o meu próprio coração. Mas então? O que faço?
Não consigo esquecer, mas tambem não consigo deixar de pensar, pensar em ti... Quero esquecer momentos, quero esqecer pessoas, esquecer quem sou, esquecer tudo, esquecer todos... Eu quero deixar esta estupida rotina que me persegue. Para quê tudo isto? Todos os dias passamos pela mesma coisa, dia após dia, desgastando-me, sofrendo... cada dia estou mais fraca, com menos vontade de viver e de dizer Sim ao quer que seja... estou farta e não posso fazer nada para mudar.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tempestade Emocional



O céu está cinzento.
Caminho pela rua, uma estrada sem fim, ninguem me vê.
Começou a chover; o céu está a chorar e eu choro com ele... Corro à procura de abrigo, e nada alcanço. Não consigo sair daqui, corro no mesmo sitio, não avanço... agora todos os pensamentos se contrariam: primeiro avanço sem dar por isso, depois quero prosseguir e estou presa; Não compreendo! Chove intensamente, continuo a correr sem sair do mesmo sítio, estou encharcada! Peço ajuda mas ninguem me ouve. Estou a enterrar-me na lama... terras levadiças puxam-me para baixo, para baixo desta superficie; Estou a perder-me. Grito por ajuda, mas ninguem me liga, ninguem me vê, ninguem me ouve! Não consigo sair daqui, não consigo! O medo continua a preseguir-me. Continuo a ser puxada, para baixo... ou talvez empurrada, empurrada por alguma coisa, ou, empurrada por alguem como no meu interior... Forças superiores a mim, ao meu ser! Consigo fugir àquela força que contrariava a minha vontade, mas sei que mais tar ou mais cedo, irei ficar novamente subterrada, presa, parada. Gostava de conseguir fugir para sempre a todos estes contra-tempos que me derrotam, mas não posso, pois estes perseguem-me onde quer que eu vá! Continuo a correr, a tentar fugir, e consigo chegar até aqui, aqui neste canto vazio. Estou cansada de fugir; Uma tempestade emocional corre-me nas veias, uma tempstade de lágrimas, um vendaval de trémulas sensações inconstantes que me desfaz... Não suporto esta ideia tormentosa. Tenho tanto medo, sinto-me como uma nuvem que derrama lágrimas continuamente... uma nuvem, uma tempestade! Uma tempetade que teima em não desaparecer, mas sim a perdurar. Gostava de ver o sol brilhar depois de toda esta escuridão, mas essa luz está tão longe, tão distante de mim ... A tempestade continua aqui, dentro de mim. Estou sem forças, não consigo combate-la.
Tento explicar a mim própria o que sinto, mas nem eu sei... Estarei a delirar? Talvez não, pois louca já eu estou.

domingo, 11 de maio de 2008

__________O Som do Silêncio...

Está escuro, não há nada, não há ninguem.
O Silêncio grita-me aos ouvidos de uma forma encurcedora e constante... Esta soada perturba-me o cérebro, não consigo pensar.
Estarei a sonhar? Fecho os olhos por breves instantes... e vejo lá no fundo, sombras dispersas e fantasmas inexistentes na realidade, mas mais do que reais na minha alma... Mas os meus sonhos não passam de meras fantasias abstractas e incompreendidas que eu própria tento desvendar... tão abstractas, tão abismáveis! Já não sei sonhar; Já não consigo sonhar. Para quê sonhar, se nada do que sonho se tornará realidade? Talvez caiba-me a mim transformar essas fantasias em algo concreto... Mas não consigo. Deixei de sonhar a cores; Agora sonho num mundo a preto e branco, as únicas cores capazes de reflectir para o exterior, os meus pensamentos... sonho e volto a sonhar ... pesadelos sufocantes no meio deste intenso silêncio que não me deixa falar, que não me deixa gritar! Continua tão escuro, o amanhecer demora a surgir. Durante estes momentos, observo a lua... Por muito perturbador que seja o silêncio da noite, nada é tão bonito, nada é tão puro como este luar, a única fonte de luz no meio de toda esta escuridão! Caminho, mas pouco vejo. À minha frente tudo é incerto e duvidoso... Tenho medo. Tenho medo de voltar a errar, de me enganar, de pôr o pé no vazio e escorregar... tenho medo de cair. Só queria que este luar conseguisse ser mais profundo que a escuridão que me rodeia, e que pudesse iluminar a noite, iluminar este mundo desabitado, para que assim conseguisse ver, e tivesse menos hipóteses de cair neste vazio tão atormentador e silêncioso... o silêncio, o silêncio que a cada segundo que passa se torna mais difícil de ouvir, mais difícil de aceitar... A lua está a eclipsar-se, o luar está a desaparecer! A pouca luz que iluminava esta escuridão desapareceu e agora não consigo ver nada. Está frio e o meu corpo está a congelar, não o sinto. Apenas dou por mim, a andar... sinto os meus membros inferiores moverem-se como que por rotina, não os consigo controlar. Não os consigo parar. Estou sozinha, não me sinto, não vejo onde estou, não vejo nada. Tenho medo!
Entro em pânico sem dar por mim... este vão está a sufocar-me, mal consigo respirar. Sinto ao meu lado a presença de sombras frias, ventos que me queimam ao chocarem comigo, com este pedaço de gelo em que me tranformei.
Onde estou eu? Num deserto cujo silêncio é inquietante e onde o calor que me debilita é gelado?

Estarei eu frente-a-frente com o meu fim, ou será apenas mais um dos meus obscurecidos «sonhos»?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A Verdade

A verdade? A Verdade é aquilo que todos tentam esconder, ou infelizmente, ignorar. A verdade é que estamos a destruir o mundo, a nossa vida, e a dos outros, com o facto do egoísmo que nos rodeia! O Homem é uma máquina em movimento com tamanho poder destruidor de bens não materiais, mas sim essenciais. O Homem não pensa no futuro nem nas próximas gerações; e porquê? Porque o egoísmo que se faz sentir é superior a tudo, superior a todos! Para quê tudo isto? Porquê fingir que isto é tudo muito bonito quando o sol brilha e os passarinhos cantam, se TODOS nós sabemos que isto não passa de um fingimento...? Para quê fingir? Nada é perfeito, e o Homem consegue imperfeiçoar tudo; consegue ignorar e dizer "não quero saber disso... os outros tambem não querem saber, pra quê que eu me hei-de importar?" ... Cobardia? Sim, é por cobardia! Porque pouca gente tem coragem de lutar pelos seus objectivos de vida, poucos conseguem dizer BASTA ao que está mal, poucos querem saber «dos outros»!
A maioria das pessoas, estão-se a cagar para o dito "lutar por um mundo melhor", as pessoas não querem saber, ignoram o que percebem, e evitam tentar perceber o que não lhes convém! Tudo isto não passa de um egoísmo colectivo da qual todos fazem parte... Ninguem se importa, ninguem quer saber... Deixam que tudo avance até à ultima consequência, até ao Fim! Até ao fim de quê, perguntam vocês... Até ao fim do mundo!
"Ele não se importa; eu tambem não!" ... É assim que se consegue atingir o pretendido? É assim que se pretende lutar pelos nossos objectivos...? Ver «os outros» destruindo o que tambem é nosso? Tanta ignorancia, tanto fingimento, mas para quê? Nada disto nos vai levar ao que queremos... bem pelo contrário! Não consigo suportar esta ideia de que o mundo se está a desmoronar em cima de nós, não consigo suportar a ideia de querer agir de forma a lutar contra isso, e ver que os outros não estão nem para aí virados... Despreocupados, ignorantes, egoístas e estupidos! Não consigo ver essas pessoas de outra maneira. Mas será que sou a unica a ver que isto não pode continuar assim? Ou serei eu que não estou bem e que digo disparates da boca para fora?? E depois, ainda me pedem para ter calma, e para não me revoltar... Então o que faço? Espero e desespero à espera da reacção de seres inconscientes que não querem ver a realidade, para quando o espéctaculo acabar puder bater palmas? Não consigo, assim como tambem não consigo ver a vida a escorregar-me entre as mãos... Não consigo, não posso e NÃO QUERO! Estou farta de tanta estupidez, estou farta de tanta ignorância!


«O pior cego é o que não quer ver!»

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Repleta de raiva

Outra vez, outra vez,
e outra vez... Tudo ao mesmo tempo, delirios e confusões, pensamentos incompreendidos, gestos despercebidos...
Já não sei de nada, nem quero saber... Para quê me preocupar? Não consigo mudar nada; a minha vontade de mudar não é suficiente para que eu própria o consiga fazer...
Quantas vezes terei de agir estupidamente, para conseguir aprender com esses mesmos erros, de forma a não os repetir? Eu erro, e volto a errar! Sou estupida e não me consigo emendar... Extraordinário! A minha imbecilidade é de tamanha grandeza para com todos, mas especialmente e acima de tudo, para com aquela pessoa, aquele amigo a quem chamo amigo com o maior orgulho do mundo! Interessante, de facto... Escusado seria dizer que ninguem mais do que ele, se preocupa comigo e me apoia. E eu... agradeço desta Linda forma... que bonito, não é? Tambem acho que sim, porque pra'lem de ser interessante, é tambem uma grande anormalidade da minha parte! Que paciência têm os outros de ter para aturar as birras de uma criança mimada como eu que apenas se sabe lamentar do triste mundo em que vive... Mas por muito que queira, eu não consigo mudar! Gostava tanto de ser diferente, de conseguir errar e aprender com esses erros... mas não... eu ainda faço pior! Eu destruio-me a mim e aos outros!
Estou cansada de todos os dias ouvir noticias deste miserável mundo em que vivemos, e tal como eu, das tristes pessoas que nele habitam, destruindo-o e despreocupando-se com os actos inconscientes mas mortíferos que fazem, falo como se por acaso, eu própria fosse diferente dessas míseras pessoas! Cada vez que olho à minha volta, é isto que vejo... estupidez, inconsciência, e imbecilidade, defeitos os quais que constam na minha maneira de ser!
Estou cansada de ouvir comentários de pessoas estupidas, estou cansada de que me olhem de lado, cansada de tudo, de todos, Odeio tudo o que me rodeia, tudo o que pra'lem de mim, me deixa neste estado melancólico e irritante!
Mas principalmente, estou cansada de mim, cansada de ser assim, e cansada de ter este feitio de merda.
... Estou cansada de viver assim!


[Momentos de delírio, Libelinha].

domingo, 27 de abril de 2008

De facto, confusa!

O mundo está virado ao contrário na minha [interessante] vida!
Se é assim que lhe posso chamar ... Estou cada vez mais confusa, cada vez mais perdida.
Os meus sentimentos revoltaram-se e estão agora numa luta constante... Os meus sentimentos, os meus pensamentos, as minhas angustias, os meus medos, estão agora misturados, confundindo-me o coração, confundindo-me o cérebro... Cérebro, será que o tenho? Pois, talvez seja provável que não..! A verdade, é que algo muito sombrio e opaco me impede de auto-perceber! O meu coração está parado, não bate... Não recebe outro sentimento pra'lem de falsidade... O meu sangue está a deixar de circular, as minhas veias estão vazias, o meu coração destruído. Estou a deixar de existir interiormente, estou a morrer... Morta já eu estou, há já muito tempo! Talvez esteja a morrer outra vez, a deixar-me cair neste vazio, neste vão atormentador. Ás vezes é tão difícil pensar, de tomar decisões, de continuar... É como que se o mundo estivesse a desabar em cima de mim num só segundo! Não sei como lutar. Quero gritar e não tenho voz. Ninguem me ouve, ninguem vê, ninguem me percebe! Só eu e apenas eu, posso presenciar, viver, e tentar perceber o que se passa em minha volta, o que se passa na minha vida... Eu? Quem sou eu? Preferia dizer que não sou nada, que não sou ninguem, mas na verdade sou um ser desumano e degenerado que existe mas não vive. Pouco a pouco, as paredes estão a desmoronar para cima de mim, as pessoas desprezam-me, e eu... eu estou a morrer aos poucos, estou a derrubar-me lentamente. Seria melhor extenuar-me de uma vez só... Estou farta de tudo, farta de todos, farta de ser eu... e farta, farta de não me darem uma oportunidade para construir um novo EU.
Quero ver, mas está escuro. Quero falar, não me ouvem. Quero ouvir, mas o silêncio que me rodeia é demasiado intenso. Quero tocar-te, estás longe.
O meu sangue já fora derramado, e agora... O meu coração quer bater e não tenho sangue nas veias.

[Quero Viver, não consigo].

terça-feira, 22 de abril de 2008

Outra vez NÃO!

Cada vez mais bonito e comovente! Tão comovente como chocante e horrivel...Sim, é assim que me sinto, horrivelmente chocada comigo própria! Tenho ódio de mim própria, ódio de ser como sou, ódio de ter nascido... Para quê que vim ao mundo? Para um dia puder dizer entre as trevas que em tempos fiz parte dele? Não me parece ... A cada dia que passa, surpreendo-me e aflijo-me comigo mesma... como é que é possivel concentrar em mim tanta estupidez, tanta capacidade de destruição? Odeio-me cada vez mais, acumulo em mim esta raiva ínterior que me destrói por completo... Eu sou a causadora da minha morte ... morri, e estou a morrer novamente, não consigo, NÃO AGUENTO! Não consigo levantar-me de manhã sem repetir para mim mesma que me odeio, não consigo estar um dia sem me arrepender da pessoa que sou nem de reflectir sobre o nojo psicologico que tenho de mim própria, deste estupido ser em que me tornei.
É insuportável pensar, é insuportável continuar. Mais estupido ainda, que já por mil vezes provoquei inconscientemente o fim da nossa amizade(...), e que TU tenhas tanta paciência, tanta vontade de continuar a suportar-me... Como é que consegues? Como é que consegues lidar comigo? Como é que me consegues perdoar, e continuar como se nada fosse? Como é que consegues avançar assim, dando me sempre hipótese ... Hipóteses que eu não mereço, porque eu não mereço a tua amizade, não mereço a tua preocupação nem o teu sofrimento por minha causa quando a minha estupidez fala mais alto que eu... eu não mereço, não mereço nada, nada! Mereço o teu desprezo, mereço que me ignores e que esqueças a minha existencia na tua vida, eu mereço morrer e ser esquecida. Apenas te posso agradecer por seres tão paciente comigo, e acima de tudo, por não deixares que a nossa amizade acabe... embora seja mesmo isso que eu mereço, perder-te. Por muita coisa que eu faça, por muitas discussões e contra-tempos que existam, o carinho que eu sinto por ti, nunca mudará ... Aparentemente, choramos, e as lágrimas deslizam pelo nosso rosto abaixo; Comigo, passa-se precisamente a mesma coisa... mas não são os meus olhos que vertem lágrimas, é o meu coração. O meu coração que derrama lágrimas, lágrimas de sangue e de dor com o pânico terrivelmente assustador quando sente que está prestes a perder a tua amizade.