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Porque não tenho a mesma oportunidade que os outros para me libertar, para fugir daqui, e largar tudo isto?
O silêncio instala-se novamente. Não consigo! Não consigo passar por tudo novamente!
Há pessoas que não vêem, há outras que não querem ver!
Há as que complicam, e outras que gostam de o fazer!
E eu aqui, olho em meu redor, observo as atitudes, as palavras, os gestos... E tu desse lado, fazes me pensar nos porquês de tudo isto, nas dúvidas, nas confusões, nos momentos... Tu que finges não perceber, tu que ignoras a realidade, tu que me dás asas, e que de um momento para o outro tens o agrado de mas tirar.
Tu que dizes, que fazes... mas que não sentes!
Não sentes nada do que dizes sentir, nem do que fazes.
Finges que não vês, finges que não percebes...
Mas eu conheço-te...
E é por te conhecer tão bem que estou farta;
Estou farta das mentiras dessa tua boca,
Cansada de pensar que desta vez estás a ser sincero...
E na realidade, a tua sensatez não passa de uma ilusão criada por mim para fugir à verdade!, uma verdade que estou farta de esconder... mas uma verdade que tu provávelmente não sentes, e dizes sentir com um sorriso no rosto! Mas essas palavras são falsas!
Só me pergunto porque raio de razão as dizes, porque raio de razão me fazes senti-las?!
Porquê que ages, sem saberes aquilo que queres?
Porquê?
Fecharam-se as Cortinas.
Encostada à porta observo tudo isto, o meu quarto, o meu mundo, o meu eu.
De facto, o tempo passa a correr...Vejo-me a crescer, ao contrário de outras pessoas que pensam que estou cada vez mais criança, mais infantil. Eu não concordo. Existem diversas fases na vida, as quais nós não podemos escolher se por elas queremos passar ou não. 
...
Acordei. Olhei para baixo, e vertigens esmagadoras apoderaram-se de mim.
Não, hoje não vou fazer um daqueles bonitos discursos cheios de lamechices e lágrimas. Apetece-me correr, mas mal sinto as pernas, estou cansada... Então, descanso aqui debaixo desta árvore, entre todas estas magnificas flores. Observo tudo o que me rodeia. Ao sabor do vento, tudo parece mais rápido. Esta agitação é assombradiça. O vento choca com o meu pálido rosto; Um arrepio glacial ascende-se em mim... Está frio, muito frio! Olhando para cima, vejo o Sol; Está escondido entre os troncos da árvore, apenas a sua luz intensamente brilhante se apodera dos meus olhos. É um momento único, o Sol está finalmente a brilhar... mas longe, bem longe de mim. De qualquer forma, consigo agora avistá-lo. Não queria de modo algum perder de novo esta luz brilhante capaz de iluminar os constantes dias sombrios por que tenho passado, mas sei que mais cedo do que imagino, a escuridão voltará para me abater novamente... Não consigo perceber porque tal acontece... porque tenho de me sentir culpada por tudo? porquê que a culpa será sempre minha? Talvez porque me culpo demasiado? Sim, talvez; Consigo agora atingir tais conclusões. Não vale a pena continuar a chorar, a gritar, a lamentar-me por tudo o que me acontece, por tudo o que fiz e continuo a fazer de errado. Afinal, errar é humano, certo? Não matei ninguém, não roubei; Então, porque razão tenho eu de sentir que o mundo me caiu em cima, se apenas errei?... que eu saiba, ainda temos o direito de errar! E por muitos erros que eu cometa, por muitos arrependimentos, por muitos incidentes, nada pode ser suficientemente mau para me pôr no desgraçado estado melancólico em que me costumo encontrar. Para mim chega, fartei-me. Fartei de me sentir culpada por tudo o que acontece de mal, fartei-me de chorar por pessoas que de mim não merecem nada, fartei de me queixar da miserável vida que levava devido ás asneiras que fazia (e que continuo a fazer). Agora cansei-me! A minha paciência esgotou. Há de facto, quem tenha a mania da perfeição, quem pense que é superior a todos, e que tem capacidade para julgar quem quer que seja. Mas não passa disso, de uma mania. Pois na verdade, ninguem é perfeito o suficiente para não errar, nem ninguem é perfeito o suficiente para poder julgar o que está certo ou errado. Na realidade, todos erram pois ao contrário do que muita gente pensa, a perfeição está longe de existir. Portanto, ninguém pode ter a capacidade de continuar a deitar-me abaixo, mandando bocas estúpidas, que me atingem fortemente.
Mas agora... agora não. Não há medos que me consigam derrubar tão facilmente como no passado, não há ninguém que me impeça de voltar a sorrir, de voltar a viver.
Não sei o que ainda faço aqui... Não sei porque ainda cá estou.
Estou aqui. Sim, aqui sentada neste lamacento chão, onde aguardo que me espezinhem.
Há 14 anos atrás lançaram os dados; O jogo tivera começado.
Os pensamentos perderam-se; As emoções esgotaram-se; Os sentimentos morreram.
Não aguento toda esta pressão. Cada passo que eu dou é um erro para os outros, cada segundo que passa é uma eternidade para quem está comigo. Sinto-me sufocada com toda esta diferença que me rodeia.
Definitivamente, enlouqueci.
Todas as palavras, todos os pensamentos, todos os sons, todos os sorrisos, todas as expressões, todos os toques... tu estás lá; Não é em ti que eu penso, é na tua ausência, é no facto de não ter comigo o ar que respiro, é na dor que sinto interiormente por estares tão afastado, tão ausente. E toda a esperança que eu tinha de pudermos voltar a ser amigos, de poder voltar a olhar-te a sorrir-te, a tocar-te... toda essa esperança morreu, e continua a morrer a cada lágrima, a cada reflexão, a cada momento. Esta porta que por vezes se abria e me permitia ver o sol, fechou-se definitivamente, e foi substituída por uma parede, um muro de fortes dimensões, impossivel de se mover; É impossível voltar a ver o sol que me iluminava. Tudo aqui é tão escuro, tão triste.
Estou desesperada.
Dia para esquecer.
Um choro contínuo... Lágrimas que são idealizadas pelo meu coração, e que nascem nos meus olhos, numa profunda tristeza sentida interiormente; E o percurso das minhas lágrimas continua... deslizam sobre o meu rosto lentamente, e acabam por morrer na minha boca.
Caminho pela praia, descalça sobre a areia molhada.
O teu olhar...
Suspiro por ti...
Está escuro, não há nada, não há ninguem.
«O pior cego é o que não quer ver!»
Outra vez, outra vez,
O mundo está virado ao contrário na minha [[Quero Viver, não consigo].
Cada vez mais bonito e comovente! Tão comovente como chocante e horrivel...Sim, é assim que me sinto, horrivelmente chocada comigo própria! Tenho ódio de mim própria, ódio de ser como sou, ódio de ter nascido... Para quê que vim ao mundo? Para um dia puder dizer entre as trevas que em tempos fiz parte dele? Não me parece ... A cada dia que passa, surpreendo-me e aflijo-me comigo mesma... como é que é possivel concentrar em mim tanta estupidez, tanta capacidade de destruição? Odeio-me cada vez mais, acumulo em mim esta raiva ínterior que me destrói por completo... Eu sou a causadora da minha morte ... morri, e estou a morrer novamente, não consigo, NÃO AGUENTO! Não consigo levantar-me de manhã sem repetir para mim mesma que me odeio, não consigo estar um dia sem me arrepender da pessoa que sou nem de reflectir sobre o nojo psicologico que tenho de mim própria, deste estupido ser em que me tornei.